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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Descobrindo o que é PODELA - cont. pop. (Adap.: Flaviano Fernandes) LIVRE

 Certa vez um português veio visitar o Rio de Janeiro. Alojou-se em Copacabana, passeando pela Avenida Copacabana viu  um ateliê onde dizia: "Aqui tem de TUDO".
 Curioso ele foi para casa pensar, inventou uma palavra qualquer, que nem ele mesmo sabia se existia e entrou à loja:
- Bom dia? disse o carioca.
- Bom dia, você, por acaso, tem Podela? - O carioca pensou, pensou e pensou mais um pouco e respondeu, cossando a cabeça:
- Tenho sim, mas só trabalhamos por encomenda, fica pronto amanha mesmo, vai uma?
- Vai sim, pode preparar.
 Saindo da loja o português ficou bastante curioso e pensou: Será que o cara tem mesmo essa tal de Podela, nem eu sei o que é...
 O carioca pensou consigo mesmo: Esse portugues esta querendo me passar para trás, então o carioca pensou, pensou e pensou mais um pouco, daí teve uma idéia...
 Entao o carioca foi ao banheiro, fez suas necessidades, e quando olhou ele disse: Hum, é bosta!


PODELA



 Então ele colocou ao sol, deixou ficar bem sequinho, depois ele ralou e colocou em um pote com uma etiqueta personalisada escrita á mão: PODELA...
 No dia seguinte o portugues chega a loja e pergunta de sua encomenda...
 O carioca: ta aqui sim, prontinha, chegou hoje de manhã...
o portugues abriu o pote numa empolgação, enfiou o dedo no pote e depois na boca. Cuspindo ele disse: Mas isso aqui é bosta. -  E o carioca: Não é o pó dela!!!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Para Sempre Fiel - (Nelson Rodrigues)  14 anos



Vira-se para uma pequena:
- Quer saber de uma coisa ?
E ela:
- Quero.
Estavam tomando refrigerante, com um canudinho, num bar da Quinta da Boa Vista, ao ar livre. E, então, meio sério, meio brincando, ele baixa a voz:
- Não acredito que você goste de mim.
Admirou-se:
- Sério?
- Palavra de honra!
- Por quê?
Puxa um cigarro:
- Porque não acredito em mulher nenhuma, compreendeu? Olha: eu tive, até agora, digamos, umas dez namoradas.
Dez ou doze ou treze. Muito bem. Todas, absolutamente todas, sem exceção, me passam pra trás. Às vezes eu penso que minha sina, minha vocação é ser traído.
Impressionada, Odaléia mexeu com canudinho no fundo do copo vazio. Ergue o rosto:
- Posso falar?
- Claro!
Por cima da mesa, ela apanha a mão do namorado:
- Não há no mundo um amor que se compare ao meu.
Você é meu primeiro amor e será o último!
Saíram da Quinta da Boa Vista mais enamorados do que nunca. No ponto do bonde, Odaléia, comovida da cabeça aos pés, pergunta:
- E agora? Você acredita em mim? Acredita no meu amor?
Respira fundo:
- Acredito
Quando Odaléia chegou em casa, a mãe aparece na porta da cozinha, com um prato e um pano de enxugar. "Como é? Tudo Bem?". A garota põe a bolsa em cima da mesa e suspira.
- Mamãe, parece que o negócio engrenou.
A velha quis saber:
- Falou em casamento?
E a filha.
- Falou mamãe, pela primeira vez. Ah, mamãe, eu sou a mulher mais feliz do mundo!
- Deus te abençoe, minha filha, Deus te abençoe!
No dia seguinte, encontraram-se novamente. Mas a euforia de Odilon extinguira-se até o último vestígio. Taciturno, um jeito cruel na boca, quase não falava. Súbito, Odaléia: "O que é que há ? Está aborrecido?" Encaram-se. Odilon baixa a vista:
- Você pode achara que é complexo, mas o fato é o seguinte: eu não acredito em você. Não consigo acreditar. Pergunto:
Você acha que posso me casar sabendo que vou ser traído?
Ergueu-se atônita:
- Mas assim você até me ofende!
- Viu? Você já está ofendida! E a mulher que ama no duro, que ama batata, começa por não ter amor-próprio. Com amor-próprio não há amor
Odaleía agarra-se ao namorado:
- Você quer que eu faça o que para provar o meu amor? Eu faço o que você quiser!
Separam-se, tristíssimos. Antes de largar a pequena no ônibus, ele dissera: " Quer um conselho meu ? Quer? Então, ouça"
Suspira e continua:
- Você deve me chutar enquanto é tempo. Eu não interesso nem a você, nem a mulher nenhuma. Agora mesmo, neste momento, eu estou pensando que você há de me trair um dia. Isso deve ser doença. Eu sou doente mental. - Num esgar de choro, pede: - Arranja outro namorado, arranja um sujeito que acredite em ti!
Responde chorando:
- E se eu provar que te amo? Se eu provar que te serei fiel, até morrer?
Ele balança a cabeça:
- Provar como? Você pode jurar pelo futuro? Hoje você gosta de mim. Muito bem. E amanhã? Gostará ainda?
- Evidente! Eu não mudo!
Odilon segura a pequena pelos dois braços:
- Foge de mim! Eu sou um caso perdido, completamente perdido!
Chegou o ônibus, eles despediram-se.
"Vai, vai! Amanhã conversaremos! " Ela entrou no ônibus e dá janelinha dava adeus.
A mãe, que era uma senhora gorda e cheia de varizes, acompanhava, passo a passo, aquele romance. Viu a filha chegar chorando e tomou um susto: " Mas o que foi que houve ?"Pela primeira vez, Odaléia contou o romance inteirinho, inclusive com os detalhes que vinha omitindo. A velha pôs a mão na cabeça:
- Mas esse homem é maluco, minha filha!
Odaléia assoou-se no lencinho:
- Não sei e nem interessa, mamãe, o fato é que gosto dele e pronto.
- Ora veja!
A pequena continuava:
- Já pensou como Odilon deve sofrer? Imagine um homem que não acredita em mulher nenhuma. Deve ser terrível. Eu tenho que arranjar um jeito, um meio de provar que eu serei fiel sempre, que serei fiel até morrer, que eu não o trairei nunca! E provarei.
penosíssimos Ainda se viram três ou quatro vezes. Foram encontros penosíssimos; ele a atormentava, sem dó nem piedade."Quando me trairás? Quando?" Odaléia, que o amava muito, que o amava cada vez mais, respondia:
- Guarda as minhas palavras. Ainda hei de provar que nunca, nunca trairei você.!
E ele:
- Duvido!
Cessaram os encontros. Quinze dias depois, Odilon, numa amargura tremenda, faz os seus cálculos: " No mínimo, arranjou outro e deve andar se esbaldando por aí" Uma manhã porém, aparece, esbaforido, na casa de Odilon, um amigo. Diz-lhe: " Corre, rapaz, corre que tua pequena está morrendo!"
Vestiu-se às pressas e voou para a casa da garota. E, lá, soube de tudo: Odaléia matara-se durante a noite, tomando não sei que veneno. Varando os grupos de parentes e vizinhos, Odilon chega ao quarto da pequena. Espia da porta o cadáver na cama. Entra, dá dois passos no interior do quarto e estaca. Via, na parede, o que Odaléia escrevera a lápis, antes de morrer. Eram estas palavras: "AS MORTAS NÃO TRAEM". Apavorado, Odilon cai de joelhos, diante da cama. Apanha a mão da mulher que seria para sempre fiel e a cobre de beijos e lágrimas. 

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A Festa no Céu - conto pop. LIVRE

( Luís da Câmara Cascudo)
Entre os bichos da floresta, espalhou-se a notícia de que haveria uma festa no Céu.
Porém, só foram convidados os animais que voam.
As aves ficaram animadíssimas com a notícia, começaram a falar da festa por todos os cantos da floresta. Aproveitavam para provocar inveja nos outros animais, que não podiam voar.
Um sapo muito malandro, que vivia no brejo,lá no meio da floresta, ficou com muita vontade de participar do evento. Resolveu que iria de qualquer jeito, e saiu espalhando para todos, que também fora convidado.
Os animais que ouviam o sapo contar vantagem, que também havia sido convidado para a festa no céu, riam dele.
Imaginem o sapo, pesadão, não agüentava nem correr, que diria voar até a tal festa!
Durante muitos dias, o pobre sapinho, virou motivo de gozação de toda a floresta.
_ Tira essa idéia da cabeça, amigo sapo. – dizia o esquilo, descendo da árvore.- Bichos como nós, que não voam, não têm chances de aparecer na Festa no Céu.
_ Eu vou sim.- dizia o sapo muito esperançoso. - Ainda não sei como, mas irei. Não é justo fazerem uma festa dessas e excluírem a maioria dos amimais.
Depois de muito pensar, o sapo formulou um plano.
Horas antes da festa, procurou o urubu. Conversaram muito, e se divertiram com as piadas que o sapo contava.
Já quase de noite, o sapo se despediu do amigo:
_ Bom, meu caro urubu, vou indo para o meu descanso, afinal, mais tarde preciso estar bem disposto e animado para curtir a festa.
_Você vai mesmo, amigo sapo? - perguntou o urubu, meio desconfiado.
_ Claro, não perderia essa festa por nada. - disse o sapo já em retirada.- Até amanhã!
Porém, em vez de sair, o sapo deu uma volta, pulou a janela da casa do urubu e vendo a viola dele em cima da cama, resolveu esconder-se dentro dela.
Chegada a hora da festa,o urubu pegou a sua viola, amarrou-a em seu pescoço e voou em direção ao céu.
Ao chegar ao céu, o urubu deixou sua viola num canto e foi procurar as outras aves. O sapo aproveitou para espiar e, vendo que estava sozinho, deu um pulo e saltou da viola, todo contente.
As aves ficaram muito surpresas ao verem o sapo dançando e pulando no céu. Todos queriam saber como ele havia chegado lá, mas o sapo esquivando-se mudava de conversa e ia se divertir.
Estava quase amanhecendo, quando o sapo resolveu que era hora de se preparar para a "carona" com o urubu. Saiu sem que ninguém percebesse, e entrou na viola do urubu, que estava encostada num cantinho do salão.
O sol já estava surgindo, quando a festa acabou e os convidados foram voando, cada um para o seu destino.
O urubu pegou a sua viola e voou em direção à floresta.
Voava tranqüilo, quando no meio do caminho sentiu algo se mexer dentro da viola. Espiou dentro do instrumento e avistou o sapo dormindo , todo encolhido, parecia uma bola.
- Ah! Que sapo folgado! Foi assim que você foi à festa no Céu? Sem pedir, sem avisar e ainda me fez de bobo!
E lá do alto, ele virou sua viola até que o sapo despencou direto para o chão.
A queda foi impressionante. O sapo caiu em cima das pedras do leito de um rio, e mais impressionante ainda foi que ele não morreu.
Nossa Senhora, viu o que aconteceu e salvou o bichinho.
Mas nas suas costas ficou a marca da queda; uma porção de remendos. É por isso que os sapos possuem uns desenhos estranhos nas costas, é uma homenagem de Deus a este sapinho atrevido, mas de bom coração.
A coisa mais extraordinária do mundo - (Cont. Pop.) LIVRE

A tradição conta,mas só Allah sabe a história toda, mas a tradução conta que existiu ,certa vez, na antiguidade dos tempos, um rei valoroso a quem Allah havia agraciado com três filhos varões, chamados Ali, Hassan e Hussein. Estes três príncipes foram criados no palácio paterno juntamente com uma prima órfã, a princesa Nuranahar, cujo nome significa Luz do Dia. Nuranahar era tão linda que as rosas murchavam em sua presença. Ela era tão encantadora que, se quisesse, poderia dizer para a lua: Com licença, que eu vou ficar no seu lugar! Além de bonita, ela era inteligente e corajosa..
O rei pensava em casá-la com o filho de algum sultão.
Mas assim que ela atingiu a puberdade, o rei se deu conta de que seus três filhos estavam apaixonados por ela e fariam de tudo para conquistá-la e possuí-la. Ele ficou perplexo, sem saber o que fazer. Pensava: se eu der Nuranahar a um dos meus filhos, os outros dois vão ficar magoados até a eternidade.. Se eu escolher para ela um príncipe estranho, os três vão morrer de tristeza.
Após refletir longamente, o rei chamou seus três filhos e disse:
- Vocês são iguais aos meus olhos e não posso escolher qual dos três deve se casar com Nuranahar. Então, só vejo uma solução: cada um de vocês deve partir para uma terra distante e trazer-me a coisa mais extraordinária que existe. Eu vou casar a princesa com aquele que me trouxer a raridade mais maravilhosa.
Os três então partiram disfarçados de mercadores. Cavalgaram juntos até uma encruzilhada próxima à cidade, de onde partiam três caminhos diversos. E combinaram de se reencontrar naquele mesmo local um ano depois, nem mais um dia, nem menos um dia.
E partiram, cada um tomando um dos três caminhos.
Após três meses, o príncipe Ali chegou ao reino de Bichangarch , nas costas da Índia. E foi logo dar um passeio no mercado. Ficou muito encantado com tantos objetos finos e riquíssimos. Até que, passando pela rua dos tapetes, reparou num vendedor que carregava debaixo do braço um pequeno tapete, anunciando:
- Aproveitem a oportunidade! Apenas 30 000 dinares! Quem comprar vai sair ganhando!
Ali achou o preço absurdo e pediu ao vendedor que lhe mostrasse o tapete.
Examinou-o e disse:
- Não estou vendo nada de extraordinário nesse tapete. Por que você está pedindo um preço tão absurdo?
- É que este não é um tapete comum. Quem se sentar neste tapete será transportado para onde desejar ir e com a velocidade de um raio.
- Nenhum obstáculo detém o vôo deste tapete. As tempestades, as montanhas, muralhas e outros obstáculos se afastam para deixá-lo passar.
Ali ficou encantado e lhe disse que pagaria os 30 000 dinares se o vendedor pudesse provar os poderes do tapete. O vendedor fez com que Ali se sentasse com ele no tapete e os dois voaram em menos de um segundo até a hospedaria onde se achava a bolsa de Alí. Ele pagou os 30 000 dinares e mais 1 000 de gratificação, de tão eufórico que estava, considerando que nenhum de seus irmãos iria conseguir maravilha igual e que a princesa já era sua.
O segundo irmão, Hassan , chegou até á Pérsia, e dirigiu-se á cidade de Chiraz. Assim que chegou, foi imediatamente conhecer o mercado, que lá é chamado de bazistan. Ficou maravilhado com os tapetes, os brocados, os mosaicos. Mas o que chamou mesmo a sua atenção, foi um vendedor que caminhava lentamente, sem gritar como os outros, segurando nas mãos um tubo de marfim, como se fosse um cetro de rei.
Hassan ficou curioso e se aproximou, perguntando quanto custava aquele tubo estranho. O vendedor disse que não o vendia por menos de 30 000 dinares. Hassan achou o preço exorbitante e quis saber porque o tubo era tão caro. O vendedor disse:
- Honrado estrangeiro, este não é um tubo qualquer. Repare que um lado está fechado com cristal. Quem olhar através dele vai poder ver qualquer coisa, qualquer pessoa que desejar, mesmo que elas estejam do outro lado do mundo. Você não acha que esse milagre vale realmente os 30 000 dinares?
- Claro que sim, disse Hassan. Se o que você está dizendo for verdade...
- Verifique por você mesmo, disse o vendedor.
Hassan segurou o tubo e desejou ver a princesa Nuranahar, de quem tinha uma saudade dolorosa. Imediatamente, viu-a através do tubo, passeando feliz, no jardim do palácio. Ficou tão comovido que quase deixou cair o tubo no chão.
Convencido de que não poderia existir uma maravilha mais maravilhosa do que aquela, pagou os 30 000 dinares e mais mil de gratificação. Já se sentia de posse da mão de sua amada.
Enquanto isso, o irmão mais novo, Hussein, viajou até a cidade de Samarkanda, e logo ao chegar, foi visitar o mercado, que lá é chamado de bazar. Enquanto observava a multidão, reparou num vendedor levando nas mãos uma maçã. Era uma maçã grande, do tamanho de um melão, vermelha de um lado e dourada do outro. Hussein ficou fascinado por sua beleza e quis saber o preço. O vendedor disse:
- Não vendo esta maçã por menos de 40 000 dinares.
- Acho que você está brincando, disse Hussein. Esta é a maçã mais esplêndida que já vi, mas 40 000 dinares é muito dinheiro...
- De maneira alguma, retrucou o vendedor. Pois a beleza desta maçã nada representa em comparação com seus benefícios. Esta é uma maçã curativa, e o seu cheiro afasta qualquer doença, seja peste, escarlatina, cólera, erisipela, lepra ou espinhela caída... Só não cura quem já morreu.
Para provar a Hussein o poder da maçã, o vendedor a colocou sob o nariz de um paralítico que estava assentado ali perto e, imediatamente, o homem se pôs de pé e começou a andar, feito um jovem.
Hussein pagou os 40 000 e mais 2 000 dinares de gratificação, convencido de que seus irmãos jamais poderiam vencê-lo.
E assim, na data combinada, os três irmãos se encontraram na encruzilhada e exibiram as maravilhas que haviam trazido. Quando Ali e Hussein ficaram conhecendo o tubo de marfim, eles imediatamente pediram para ver a princesa Nuranahar, porque estavam roxos de saudades.
Mas, ao olharem através do tubo, o que foi que eles viram? A princesa Nuranahar estava gravemente enferma, e já agonizando na cama, com todas as pessoas tristíssimas ao seu redor.
Imediatamente, Hussein disse:
- Não se preocupem meus irmãos, a minha maçã vai curar a princesa, mesmo que ela esteja à beira do túmulo.
E Ali disse:
- E o meu tapete voador vai nos levar ao palácio com a rapidez de um raio.
Os três, então, se assentaram no tapete e foram imediatamente transportados até aos aposentos de Nuranahar, que estava, de fato, gravemente enferma. Hussein segurou a maçã sob o seu nariz e aos poucos a cor foi voltando ao seu rosto, ela deu sinais de vida, sentou-se na cama e sorriu.
A princesa Nuranahar estava curada. Todos ficaram exultantes. Menos o rei. Se antes ele tinha um problema, agora ele tinha um problema e meio. Ele disse:
- Meus filhos, vocês me trouxeram um problema delicado. Na minha concepção de justiça estas três maravilhas são iguais. São todas extraordinárias. O marfim
mágico revelou a doença de Nuranahar, o tape mágico voou com vocês até aqui e a maçã mágica a curou. Minha escolha agora está mais difícil do que antes!
E não tendo mais idéia nenhuma quanto a outras provas para submeter os pretendentes, ele resolveu fazer uma coisa inédita para a época. Decidiu perguntar a Nuranahar com qual deles ela preferia se casar.
Nuranahar disse:
- Meu senhor, eu vou ficar eternamente grata aos seus três filhos que me salvaram a vida. Eles são muito inteligentes, bonitos e corajosos. Mas se o assunto é casamento, o senhor me perdoe. Eu queria mesmo era me casar com o jardineiro do palácio.
O Rei esbugalhou os olhos:
- O jardineiro do palácio!. Você quer se casar com o jardineiro do palácio! Mas por que?
- Bem, senhor, é porque eu o amo.
- Você o ama? Mas é inacreditável! Você tem aqui três príncipes jovens, de sangue real, belos, inteligentes e corajosos, mas quer se casar com um reles jardineiro?
Houve um silêncio na corte.
Todos ficaram apreensivos,esperando o que é que iria acontecer.
O rei estava vermelho e parecia que ia estourar, mas de repente, ele suspirou, seu semblante se desanuviou e ele disse:
- Sabem de uma coisa? Eu acho que meu problema está resolvido. Eu disse que o vencedor seria aquele que trouxesse a coisa mais extraordinária do mundo. E agora,eu estou diante desta coisa.. Nuranhar, eu lhe dou a permissão para se casar com o jardineiro. A coisa mais extraordinária que existe não é o tubo de marfim, nem o tapete mágico e nem a maçã curativa.
A coisa mais extraordinária que existe é o Amor.

ANANSE E O BAÚ DE HISTÓRIAS (CONT. AFRICANO) LIVRE

Houve um tempo em que na Terra não tinha nenhuma história para se contar. Todas pertenciam a Nyame, o Deus do Céu. Kwaku Ananse, o homem aranha, queria comprar as histórias de Nyame, o deus do Céu, para contar ao povo de sua aldeia. Então, ele teceu uma teia de prata que ia da terra até o céu.
Quando Nyame ouviu Ananse, aquele homem velho e magro, dizer que queria comprar suas histórias, ele riu muito e falou:
- O preço das minhas histórias, Ananse, é que você me traga Osebo, o leopardo com dentes terríveis; Mnboro os marimbondos que picam como o fogo e Moatia a fada que nenhum homem jamais viu!!
Ananse deu um sorriso e respondeu:

- Pagarei seu preço com prazer!

Ananse desceu por sua teia de prata que ia do Céu até o chão para pegar as coisas que o Deus do Céu exigia. Ele correu por toda a selva até que encontrou Osebo, o leopardo de dentes terríveis. E o leopardo falou:

- Ah, Ananse! Você chegou na hora certa para ser o meu almoço!!
- O que tiver de ser será! - disse Ananse - Mas primeiro vamos brincar de amarra - amarra?

O leopardo que adorava jogos, logo se interessou:

- Como se joga este jogo?
- Com cipós! Eu amarro você pelo pé com o cipó... depois desamarro! Aí,... é a sua vez de me amarrar! Ganha quem amarrar e desamarrar mais depressa. - disse Ananse.
- Muito bem! - rosnou o leopardo que planejava devorar o Homem Aranha assim que o amarrasse.

Ananse, então, amarrou Osebo pelo pé. Depois, ágil como o homem aranha, foi amarrando todos os pés do leopardo. Quando ele estava bem preso, pendurou-o amarrado a uma árvore dizendo:
- Agora Osebo, você está pronto para encontrar Nyame o Deus do Céu!
Aí, Ananse cortou uma folha de bananeira, encheu uma cabaça com água e atravessou o mato alto até a casa de Mmboro. Lá chegando, colocou a folha de bananeira sobre sua cabeça, derramou um pouco de água sobre si, e o resto sobre a casa de Mmboro dizendo:
- Está chovendo... chovendo... chovendo... vocês não gostariam de entrar na minha cabaça para que a chuva não estrague suas asas?
- Muito obrigado, Muito obrigado!, zumbiram os marimbondos entrando para dentro da cabaça que Ananse tampou rapidamente.
O Homem Aranha, então, pendurou a cabaça na árvore junto a Osebo dizendo:
- Agora Mmboro, você está pronto para encontrar Nyame, o Deus do Céu!!
Depois, ele esculpiu uma boneca de madeira, cobriu-a de cola da cabeça aos pés, e colocou-a aos pés de um flamboyant onde as fadas costumam dançar. À sua frente, colocou uma tigela de inhame assado, amarrou a ponta de um cipó na cabeça da boneca e foi se esconder atrás de um arbusto próximo. Ficou segurando a outra ponta do cipó e esperou. Não demorou muito e chegou Moatia, a fada que nenhum homem viu. Ela veio dançando, dançando, dançando, como só as fadas africanas sabem dançar, até aos pés do flamboyant. Lá, ela avistou a boneca e a tigela de inhame.
- Bebê de borracha, estou com tanta fome... poderia dar-me um pouco de seu inhame?
Ananse puxou a sua ponta do cipó para que parecesse que a boneca dizia sim com a cabeça. A fada, então, comeu tudo, depois agradeceu:
- Muito obrigada bebê de borracha.
Mas a boneca nada respondeu. A fada, então, ameaçou:
- Bebê de borracha, se você não me responde, eu vou te bater!
E como a boneca continuasse parada, deu-lhe um tapa ficando com sua mão presa na sua bochecha cheia de cola. Mais irritada ainda, a fada ameaçou de novo:
- Bebê de borracha, se você não me responde, eu vou lhe dar outro tapa.
E como a boneca continuasse parada, deu-lhe um tapa ficando agora, com as duas mãos presas. Mais irritada ainda, a fada tentou livrar-se com os pés, mas eles também ficaram presos. Ananse então, saiu de trás do arbusto, carregou a fada até a árvore onde estavam Osebo e Mmboro dizendo:
- Agora Mmoatia, você está pronta para encontrar Nyame, o Deus do Céu!!
Depois, ele teceu uma imensa teia de prata em volta do leopardo, dos marimbondos e da fada, e uma outra que ia do chão até o Céu e por ela subiu carregando seus tesouros até os pés do trono de Nyame. O Deus do Céu ficou maravilhado, e chamou todos de sua corte dizendo:
- O pequeno Ananse, trouxe o preço que peço por minhas histórias; de hoje em diante, e para sempre, elas pertencem a Ananse e serão chamadas de histórias do Homem Aranha! Cantem em seu louvor!
Ananse, maravilhado, desceu por sua teia de prata levando consigo o baú das histórias até o povo de sua aldeia. Quando ele abriu o baú, as histórias se espalharam pelos quatro cantos do mundo e são contadas até hoje.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Olá amigos e amiguinhos, sejam bem vindos ao meu blog. Aqui vocês verão contos, causos, mitos... que foram espalhados por "Anance"(cont. afric.). Me proponho a juntar algumas cópias das história aqui.
Aproveite e delicie-se com essas maravilhosas histórias...



Obs.: Fiquem atentos à classificação etária das histórias(do lado direito superior).