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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O menino das meias vermelhas - Livre


Todos os dias, ele ia para o colégio com meias vermelhas.
Era um garoto triste, procurava estudar muito mas na hora do recreio, ficava afastado dos colegas, como se estivesse procurando alguma coisa. Os outros meninos cassuavam dele, implicavam com as meias vermelhas que ele usava.
Um dia, perguntaram porque o menino das meias vermelhas só usava meias vermelhas.
Ele contou com simplicidade: "No ano passado, no meu aniversário, a minha mãe levou-me ao circo. Calçou-me estas meias vermelhas. Eu reclamei, comecei a chorar, disse que toda a gente ia cassuar de mim, por causa das meias vermelhas. Mas ela disse que se me perdesse, bastaria olhar para o chão e quando visse um menino de meias vermelhas saberia que o filho era dela".
Os garotos responderam: "Mas você não está no circo! Porque não tira essas meias vermelhas e as joga fora?"
Mas o menino das meias vermelhas explicou: - "É que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora. Por isso eu continuo usando estas meias vermelhas. Quando ela passar por mim vai me encontrar e me levará com ela".

FFJ: Simplesmente emocionante...

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Couro de Piolho - Conto Pop. - Livre

adaptado por: Augusto Pessôa

Há muito tempo atrás, num reino distante, uma linda Princesa era penteada por sua ama. Até que a ama achou, nos longos cabelos da Princesa, um piolho. A Princesa ficou admirada com aquilo. Resolveu guardar o bicho numa caixinha. O tempo foi passando, e o piolho crescendo na caixinha. A Princesa teve que passar o bicho para uma caixa maior... e para outra... e outra... até que o bicho ficou enorme. Mostrou o piolho ao Rei. E o monarca teve uma idéia. Matou o bicho e arrancou o couro. Mandou fazer um banquinho com o couro e disse para a rainha e a filha guardarem segredo. Depois baixou um decreto: Aquele que adivinhasse de que bicho era o couro daquele banquinho ganharia a mão da Princesa.
A notícia se espalhou pelo reino e por outros reinos. Primeiro vieram os filhos dos reis, mas nenhum deles descobriu. Depois, os filhos dos nobres, mas também não descobriram. Em seguida, os filhos dos ricos... os filhos dos menos ricos, mas nenhum deles descobriu. Vieram então, os pobres e os miseráveis, mas eles também não descobriam. A Princesa, que de início gostou da brincadeira, já estava ficando chateada. Tinha medo de não arrumar casamento.
Perto dali, vivia uma velha bem velha com um filho com cara de bobo. O rapaz que se chamava João, decidiu ir ao reino tentar adivinhar o enigma. A velha desaconselhou-o, mas o rapaz estava decidido. A velha então preparou uma merenda para o filho e ele partiu. Andou bastante, até que veio a noite. Estava se preparando para comer a merenda quando apareceu um velho. O velho pediu um pouco de comida e João convidou-o para sentar e comer. Os dois comeram à vontade. Depois João armou sua rede e ofereceu para o velho dormir. João dormiria ali pelo chão mesmo. O velho agradeceu e disse que tinha poderes mágicos. Tirou três fiapos de sua roupa e entregou a João dizendo que, quando ele precisasse, era só queimar um dos fiapos e talvez seu desejo se realizasse. Depois foi embora. João guardou os fiapos e dormiu.
No dia seguinte, continuou viagem até chegar ao castelo. Na porta do castelo havia uma fila de mendigos. João entrou na fila. Iam de quatro em quatro para tentar adivinhar o enigma. Até que chegou a vez de João e outros três. Entraram na sala do trono e viram o Rei, a Rainha e a Princesa cercada de amas. O Rei tomou a frente e perguntou:
- Então, de que bicho é o couro desse banquinho?
O primeiro mendigo disse:
- É couro de rato!
- Não é!
O segundo disse:
- É couro de lagartixa!
- Não é!
O terceiro disse:
- É couro de tatu!
- Não é!
João foi para perto da janela, pegou um dos fiapos e queimou. Palavras não foram ditas, mas na cabeça de João surgiu a imagem de um piolho. João achou estranho, mas aproximou-se do Rei e disse:
- É couro de piolho!
- E é! Acertou!!
O Rei ficou satisfeito. Mas a Princesa não gostou nada daquilo. Ela não queria casar com aquele sujeito com cara de bobo que nem bonito era. A jovem falou com Rei. O monarca chamou João e disse:
- João, está tudo muito certo, mas antes de casar com a Princesa você terá que cumprir umas tarefas. Terá que levar ao pasto cem coelhos. E no final do dia me trazer os coelhos todos sem perder nenhum.
João aceitou. Ele sabia que levar cem coelhos ao pasto era o mesmo que levar ao pasto cem moscas. Impossível. Mas...
No dia seguinte, entregaram os coelhos a João. Quando abriram a porta do castelo os coelhos todos fugiram. João foi andando tranqüilamente até o pasto. Quando chegou lá, pegou o segundo fiapo e queimou. Palavras não foram ditas, mas apareceu na frente de João uma flautinha. O rapaz soprou a flauta e os cem coelhos apareceram na sua frente enfileirados como guardas. João dispersou os coelhos e esperou o final do dia. Na hora certa, foi até ao castelo. Quando chegou lá, tocou a flautinha e os cem coelhos apareceram enfileirados como guardas. João chamou e Rei e disse:
- Estão aí os coelhos. Pode contá-los.
E estavam lá os cem bichos enfileirados. A Princesa reclamou de novo com o Rei. E o monarca mandou que João repetisse a operação no dia seguinte.
E assim foi. No dia seguinte, João saiu com seus coelhos. Mas a Princesa mandou que uma de suas amas pegasse um coelho do cara de bobo. A moça foi e pediu o coelho. João lhe disse:
- Dar, não dou! Mas vendo! Vendo por um beijo!
A moça ficou ofendida. Disse ser recatada e que aquilo era um absurdo. Mas como era ordem da Princesa deu o beijo em João. O rapaz entregou o coelho e ama saiu correndo. Quando estava chegando no castelo, João soprou a flautinha. O bicho esperneou para um lado... esperneou para o outro... e escapou da moça. A Princesa quando soube ficou danada. Mandou outra ama para realizar a tarefa. A outra moça foi e pediu o coelho. João lhe disse:
- Dar, não dou! Mas vendo! Vendo por dois beijos!
A moça ficou ofendida. Disse que era um abuso e coisa e tal. Mas como era ordem da Princesa deu os beijos em João. O rapaz entregou o coelho e a ama saiu correndo. Quando estava perto do castelo, João tocou a flautinha. O bicho esperneou para um lado... para outro... e escapou da moça. A Princesa quando soube ficou mais danada ainda e disse:
- Quem quer vai, quem não quer manda!!
E foi pedir o coelho a João. O rapaz lhe disse:
- Dar, não dou! Nem vendo! Mas troco! Troco por sua blusa!
A Princesa ficou muito ofendida. Era um acinte. Mas João estava decidido. A Princesa foi para trás de uma árvore, tirou sua blusa e se enrolou no xale. Entregou a blusa a João que lhe deu um coelho. A jovem correu, mas quando estava chegando no castelo, João soprou a flautinha. O bicho esperneou por um lado... por outro... e escapou. No final do dia, João foi para o castelo levando os coelhos. A Princesa já não estava achando o João tão feio assim. Mas era teimosa. E depois da história da blusa não queria nada com ele. E o Rei falou para João:
- Está tudo muito bom. Mas você vai realizar mais uma tarefa. Na hora da ceia, eu quero um saco cheio de mentiras.
João aceitou. Apesar de saber que juntar mentiras num saco e o mesmo que contar todas as estrelas do céu. Impossível. Mas... João foi para seu quarto e queimou o último fiapo. Dessa vez palavras foram ditas, mas no ouvido de João. Na hora da ceia, foi entregue a João um saco vazio. Estavam lá o Rei, a Rainha e a Princesa cercada de suas amas. João pegou o saco, ficou na frente da primeira ama e disse:
- Conheço uma ama da Princesa que comprou um coelho por um beijo!
- É mentira!
Gritou a ama. João fez como se colhesse uma fruta e mostrou ao Rei.
- Já começou a ficar cheio, Majestade!
Foi até a segunda ama e disse:
- Conheço uma ama da Princesa que comprou um coelho por dois beijos!
- É mentira!!
Gritou a ama. João repetiu e gesto e mostrou o saco ao Rei.
- Já está pela metade, Majestade!
Foi até a Princesa e disse:
- Conheço uma Princesa que trocou sua blusa por um coelho!
- É mentira!!!
Gritou a Princesa. João repetiu o gesto e mostrou o saco ao Rei.
- Pronto! O saco está cheio de mentiras, Majestade!
O Rei, já sem saber o que fazer, disse:
- Agora só depende da Princesa...
A Princesa, que já não achava o rapaz tão feio, ficou encantada com esperteza de João. Olhou para um lado... olhou para outro... e aceitou. João casou-se com a Princesa e fizeram uma grande festa de casamento. Eu estive lá, na festa. E trouxe umas compotas para vocês. Mas na ladeira do Conclins tropecei e quebrei meu nariz.
GLOSSÁRIO:
Acinte:
s.m. Ato premeditado para magoar ou prejudicar alguém; provocação.
Adv. Acintosamente, de propósito, deliberadamente.

A formiguinha e a neve - cont. pop. - Livre


Numa certa manhã de inverno uma formiga saía para o seu trabalho diário.
Já ia longe procurar comida quando um floco de neve caiu, prendendo o seu pézinho.
Aflita, vendo que ali poderia morrer de fome e frio, a formiga olhou para o Sol e pediu:
- Sol, tu que és tão forte, derreta a neve e desprenda o meu pézinho?
E o Sol, indiferente, respondeu:
- Mais forte que eu é o muro que me tampa.
Então a pobre formiguinha disse:
- Muro, tu que és tão forte, que tampa o Sol, que derrete a neve, desprenda o meu pezinho? E o muro rapidamente respondeu:
- Mais forte que eu é o rato, que me rói.
A formiga, quase sem fôlego, perguntou:
- Rato, tu que és tão forte, que rói o muro, que tampa o Sol, que derrete a neve, desprenda o meu pézinho?
E o rato falou bem rápido:
- Mais forte que eu é o gato que me come.
A formiga então perguntou ao gato:
- Tu que és tão forte, que come o rato, que rói o muro, que tampa o Sol, que derrete a neve, desprenda o meu pézinho?
O gato responde sem demora:
- Mais forte que eu é o cachorro, que me persegue.
A formiguinha estava cansada e, mesmo assim, perguntou ao cachorro:
- Tu que és tão forte, que persegue o gato, que come o rato, que rói o muro, que tampa o Sol, que derrete a neve, desprenda o meu pézinho?
- Mais forte que eu é o homem, que me bate.
Pobre formiga! Quase sem força, perguntou ao homem:
- Tu que és tão forte, que bate no cachorro, que persegue o gato, que come o rato, que rói o muro, que tampa o Sol, que derrete a neve, desprenda o meu pézinho?
O homem olhou para a formiga e respondeu:
- Mais forte que eu é Deus, que tudo pode.
A formiga olhou para o céu e perguntou a Deus:
- Tu que és tão forte que tudo pode, desprenda o meu pézinho?
E Deus, que ouve todas as preces pediu à primavera que chegasse com seu carro dourado triunfal enchendo de flores os campos e de luz os caminhos, e vendo que a formiga estava quase morrendo, levou-a para um lugar onde não há inverno e nem verão e onde as flores permanecem para sempre.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O fazendeiro o menino e o burro - Cont. pop. - Livre
Adaptação: Flaviano Fernandes

 

 Um dia um velho fazendeiro quis vender seu burrinho, então ele disse assim para o seu filho:
 - Ara, filho! Pegue sua "meiô" roupa que nós vai lá pra cidade vender nosso Burrico.- O menino pegou sua melhor roupa, aquele macacão surrado de tanto uso e seguiu com seu pai mais o burro para a cidade.
 Passando por uma ponte onde havia umas camponesas ele ouviu:
 - rsrsrs! Ôia só, que burro! os dois puxando o animal. Pelo menos uma podia ir em cima do burro.
 O fazendeiro quando ouviu aquilo pensou - Eu não sou burro, não! - Então disse:
 -Ara, filho! Sobe no burrico. - O menino não esperou ele falar duas vezes, logo montou no animal. - Calma menino, assim sê vai deixar o burro todo trocho.
 E seguiram seu caminho para a cidade.
 Porém, mais a frente, numa varanda havia um velho que quando viu aquela cena, logo falou:
-Agora você vê, um homem cansado, puxando um burro com uma criança. Isso é um abuso. O velho que deveria estar sobre o animal.
 O fazendeiro ouviu, e logo pensou: É este véio tem razão. Vamos fazer o seguinte... Ara filho! Desce um pouquinho do Burrico, que pai tá um pouco cansado.
 E continuaram sua trajetória.
 Perto de outra ponte, só que agora bem mais perto da cidade, haviam uma lavadeiras que ouvindo o toc, toc das ferraduras do animal, olharam e logo comentaram: -Vejam só meninas, que velho abusado, todo refastelado no animal enquanto o garoto novo, puxando o burro, isso é exploração ao "de menor".
 O fazendeiro disfarçou, mas ouviu, e não gostou. Falou assim para seu filho: -Ara filho! Sobe aqui que “ocê” deve tá bem cansadin também né?
 O menino também subiu no animal, e continuaram seguindo seu caminho para a cidade.
 Agora sim, já atravessando a porteira da cidade eles avistaram os criadores de gado que quando viram aquela cena começaram a reclamar: - Vejam só! Que abuso e exploração de animais, os dois em cima do burro. Eles é que deveriam levar esse animal nas costas.
 E foi o que fizeram. Andaram por toda a cidade com o Burrico nas costas, e foi motivo de muitas risadas...
 E o velho então aprendeu que quem quer agradar a todo mundo, acaba agradando a ninguém...

A biblioteca de Malasartes - cont. pop. - Livre
Adaptado por: Augusto Pessôa
 
Diz que o Pedro Malasartes estava morando numa pequena cidade. Ele, que era um grande viajante, resolveu ficar naquele lugarejo por um tempo e... foi ficando. O povo todo do lugar já conhecia a sua fama. O Malasartes já estava se cansando daquilo e pensando em ir embora dali. Num dia de muita chuva, pois São Pedro resolveu fazer uma grande lavagem no céu, Malasartes estava numa birosca tomando sua garapa pensando em realmente tomar um rumo na estrada, quando entrou no estabelecimento um rico coronel. A birosca estava cheia de gente, mas o coronel deu de cara com o Malasartes. Foi até a mesa onde o Pedro estava sentado, bateu na mesa, encheu os peitos e falou:
- Então, você que é o Pedro Malasartes?
Malasartes levantou o olho e respondeu:
- Sou eu, sim senhor!
O coronel fez uma cara feia e perguntou:
- Você é que engana todo mundo? Que é o rei da mentira?
- Que é isso, coronel. Quem sou eu...
O povo todo fala isso. Diz que essa é sua fama!
- Esse povo fala demais, seu coronel! Não vá atrás disso não!
O coronel se enfezou. Bateu de novo na mesa com a força de um trovão como da chuva que caia lá fora. Bateu e disse:
- Se o povo fala deve ter alguma verdade. A voz do povo é a voz de Deus.
- Se o senhor está dizendo...
- Pois então eu quero ver você contar uma mentira agora! E quero ver se alguém daqui vai acreditar!
As pessoas que estavam na birosca foram se aproximando para ver onde isso ia dar. O Malasartes levantou devagar, olhou o coronel por baixo dos olhos e disse:
- Não vai ser possível, seu coronel.
- Como não! Você não é o rei da mentira? O rei da enganação?
- Seu coronel olhe bem para mim. O senhor acha que eu, um amarelo sem eira nem beira, sem instrução... Um camarada que não pode nem com ele mesmo... O senhor acha que alguém vai acreditar numa mentira contada por mim? O senhor acha que eu tenho capacidade de fazer isso sozinho?
- Eu concordo com você! Acho meio difícil mesmo. Mas o povo diz que essa é sua fama.
- É verdade, mas eu não faço isso sozinho.
- Como assim?
- Eu preciso de ajuda.
- Ajuda de quem?
- Não é de quem! É do quê!
O povo todo que estava em volta espichou o ouvido para não perder uma palavra. O coronel arregalou o olho e perguntou:
- Do quê? Que história é essa, cabra?
- Eu leio essas mentiras nos meus livros da Mentira!
- Livros da Mentira?
- Uma coleção em quatro volumes!
- Quatro volumes para contar mentira?
- Uma mentira bem contada é mais difícil que uma verdade mal contada, né?!
O coronel amansou, mas quis saber:
- Isso é verdade. Mas onde estão esses livros?
- Estão lá na minha palhoça. Na minha biblioteca.
- E você tem uma biblioteca, amarelo?
- Tenho. São poucos livros, mas sem esses livros não dá para contar mentira...
O coronel insistiu:
- Então, faça lá uma enganação para gente vê se enrola alguém aqui da birosca!
- Coronel, o senhor não entendeu. Eu sou um pobre coitado. Sem os livros não vai dar jeito...
- Tem livro da enrolação?
- Uma coleção em dois volumes!
- Em dois volumes?
- Enrolar é mais fácil. Esse povo é muito abestaiado, coronel. Qualquer coisinha eles já estão se enrolando. Mas sem os livros que chance eu tenho.
O coronel ficou curioso:
- E esses livros são bons?
- São uma beleza, coronel! Encadernados com capa dura. As ilustrações são uma formosura. Ensinam direitinho.
O coronel estava cada vez mais curioso. A chuva caia forte lá fora.
- E onde estão esses livros?
- Lá na minha palhoça. Sem eles eu não sirvo pra nada.
- Vá pegar esses livros.
- Nessa chuva, coronel. Magrinho do jeito que eu sou. Posso pegar uma doença. Uma constipação. Posso até morrer.
- Eu lhe empresto meu casaco de couro e meu chapéu. – disse o coronel já tirando um bonito casaco e seu chapéu de vaqueiro e entregando a Malasartes.
O Pedro pegou aquilo e ficou contente, mas disse:
- Que beleza de casaco. E o chapéu é uma formosura. Mas a minha palhoça é tão longe e eu estou a pé. Vai molhar suas coisas todas, vai demorar tanto para eu voltar.
- Vá no meu cavalo. É um alazão branco que está bem aí na porta.
- No seu cavalo! Mas vai ser uma honra.
- Ande logo, amarelo!
O Malasartes fez um gesto com a mão chamando o coronel para perto e falou baixinho:
- Coronel, eu não tenho como sair daqui.
- E por que?
- A minha conta aqui na birosca está alta e eu não tenho dinheiro aqui comigo para pagar. Se eu sair, com essa fama que esse povo diz que eu tenho, o dono da birosca vai achar que eu estou querendo enganar ele.
- E como é que você pretendia pagar isso?
- Com serviço. Ia lavar um chão, lavar a louça, limpar as coisas...
O coronel se apromou e disse bem alto para todo mundo ouvir apontando para o Malasartes:
- A conta desse camarada eu pago. – olhou para o Pedro e apontou a porta com a cabeça – Agora vá logo, amarelo! Eu estou doido para ver esses livros.
O Malasartes encolheu os ombros:
- Se o coronel assim quer, assim feito será!
O Pedro Malasartes foi embora com o chapéu, o casaco de couro e o alazão do coronel. E nunca mais voltou.
O coronel teve que pagar a conta e diz que ele está esperando até hoje. O povo quando passa por ele, não deixa de dar um risinho lembrando da biblioteca do Malasartes.
 
É este conto que me faz sintir mais saudades dos "Catadores".
 Gostaria muito de agradecer a todos que fizeram parte deste grande grupo.
 E aos professores que com muita paciência nos formou com excelência.
FFJ

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A laranja colorida - Livre
Esta é a história de uma laranja.
Ela era ainda uma laranjinha quando ouviu os meninos dizerem:
__ Quando ela estiver grande e madura nós vamos parti-la ao meio e cada um de nós vai comer a metade dela.
__Mas a minha metade tem de ser do tamanho da sua, viu?
__ E vamos brincar de carocinho.

A laranja colorida
Esta é a história de uma laranja.
undefinedEla era ainda uma laranjinha quando ouviu os meninos dizerem:
__ Quando ela estiver grande e madura nós vamos parti-la ao meio e cada um de nós vai comer a metade dela.
__Mas a minha metade tem de ser do tamanho da sua, viu?
__ E vamos brincar de carocinho.
A laranja não sabia o que era brincar de carocinho, mas sabia que ia crescer e ficar madura para ser saboreada pelos meninos.
A laranja colorida
Esta é a história de uma laranja.
Ela era ainda uma laranjinha quando ouviu os meninos dizerem:
__ Quando ela estiver grande e madura nós vamos parti-la ao meio e cada um de nós vai comer a metade dela.
__Mas a minha metade tem de ser do tamanho da sua, viu?
__ E vamos brincar de carocinho.
A laranja não sabia o que era brincar de carocinho, mas sabia que ia crescer e ficar madura para ser saboreada pelos meninos.
Acontece que ainda não estava de todo madura quando começou a ser cobiçada. Quem passava na estrada a olhava com desejo. Os passarinhos andavam bicando suas companheiras.
Ela pensou:
__Não demora muito e me descobrem também. Gente ou passarinho.
Pensou muito, muito. Resolveu disfarçar-se.
Pediu à borboleta vermelha:
__ Me dá um pouco da tinta que colore suas asas, borboleta vermelha.
A borboleta vermelha deu.
A tinta, porém, foi pouca.
A laranja, pediu, então, à borboleta azul:
__ Me dá um pouco da cor das suas asas, borboleta azul.
Ainda foi pouco.
No entanto, como nenhuma borboleta lhe negasse as cores, a laranja foi ficando toda pintada.
Quando faltava pouco, um sabiá pousado no galho de cima completou seu disfarce: fez um cocozinho esverdeado, quase furta-cor, sobre ela.
Foi ai que aconteceu o desaponto. Os meninos chegaram e não a viram, tão disfarçada ela estava. Subiram na laranjeira, chuparam outras laranjas e foram embora.
A laranja pensou:
__Tive tanto cuidado em me guardar para eles! Como fazer agora?
A laranja colorida
Esta é a história de uma laranja.
Ela era ainda uma laranjinha quando ouviu os meninos dizerem:
__ Quando ela estiver grande e madura nós vamos parti-la ao meio e cada um de nós vai comer a metade dela.
__Mas a minha metade tem de ser do tamanho da sua, viu?
__ E vamos brincar de carocinho.
A laranja não sabia o que era brincar de carocinho, mas sabia que ia crescer e ficar madura para ser saboreada pelos meninos.
Acontece que ainda não estava de todo madura quando começou a ser cobiçada. Quem passava na estrada a olhava com desejo. Os passarinhos andavam bicando suas companheiras.
Ela pensou:
__Não demora muito e me descobrem também. Gente ou passarinho.
Pensou muito, muito. Resolveu disfarçar-se.
Pediu à borboleta vermelha:
__ Me dá um pouco da tinta que colore suas asas, borboleta vermelha.
A borboleta vermelha deu.
A tinta, porém, foi pouca.
A laranja, pediu, então, à borboleta azul:
__ Me dá um pouco da cor das suas asas, borboleta azul.
Ainda foi pouco.
No entanto, como nenhuma borboleta lhe negasse as cores, a laranja foi ficando toda pintada.
Quando faltava pouco, um sabiá pousado no galho de cima completou seu disfarce: fez um cocozinho esverdeado, quase furta-cor, sobre ela.
Foi ai que aconteceu o desaponto. Os meninos chegaram e não a viram, tão disfarçada ela estava. Subiram na laranjeira, chuparam outras laranjas e foram embora.
A laranja pensou:
__Tive tanto cuidado em me guardar para eles! Como fazer agora?
Por sorte, durante a noite caiu uma chuva fininha, suave, que a lavou toda, no banho mais gostoso de sua vida.
Os meninos a viram: grande, bem madura, pronta para ser colhida.
__É a nossa laranja, disseram eles.
E a colheram.
Com uma faca bem amoladinha o pai a descascou. E a partiu em dois pedaços bem iguais.
A laranja estava deliciosa.
O jogo dos carocinhos foi, afinal, jogado.
O menino falou:
__ Adivinha quantos caroços eu tenho na minha boca.
E a menina repetiu:
__Adivinha quantos eu tenho?
Ninguém adivinhou.
O menino cuspiu um, cuspiu mais um, mais um, mais um: quatro ao todo.
A menina cuspiu, um a um, seis caroços.
Eram dez sementes, que eles plantaram no pomar.
E foi assim que a laranja colorida se transformou numa porção de laranjeiras.

(COELHO, Ronaldo Simões. A Laranja colorida. Belo Horizonte: Le. 1987.)

Dedicado à Rafaela Tavares, grande contadora de histórias.
               O MACACO E A VELHA - Livre

Era uma casa em cima do morro. A velha morava lá. Na frente tinha um jardim e atrás um montão de bananeira. Perto da porta da cozinha ficava uma escada de pegar banana. A escada quebrou. As bananas estavam madurinhas.
Um macaco vinha passando e a mulher chamou:
- Me ajuda a catar?
O macaco disse que sim. Trepou pelas folhas, deu um suspiro e desandou a comer tudo quanto foi banana bem bonita.
A velha gritou:
- Safado!
O macaco ria.
- Pilantra!
A mulher ralhava. O macaco só jogava pra velha banana verde ou então fedida, cheia de mosca e mancha preta. Depois o macaco deu até logo e foi embora.
A velha juntou a banana que sobrou, xingando e caraminholando.
Mandou fazer uma boneca grudenta de cera. Botou na porta da casa, junto de uma cesta cheia de banana. E ficou agachada espiando.
Passou um dia. Nada.
Passou outro dia.
No terceiro, o macaco passou e sentiu um cheirinho bom. Veio chegando:
- Ô, Caterina! Quero banana...
A boneca nem se mexeu. No céu, um sol de rachar.
O macaco pediu outra vez. A boneca quieta. O macaco falou grosso:
- Me dá uma banana, ô Caterina, senão leva um tapa.
A boneca nada e ele – pá – deu e ficou com a mão colada no beiço da moça de cera.
- Larga minha mão senão leva um beliscão!
A boneca nem ligou. O macaco deu e ficou com a outra mão presa.
- Me solta, ô Caterina! Me solta senão toma um chute!
Esperou que esperou. Meteu o pé e ficou mais grudado ainda.
- Diaba! Moleca! Me larga, ô Caterina! – berrou o macaco preparando outro pé.
Chegou a velha arregaçando os dentes:
- Agora você me paga!
Levou o macaco lá dentro e mandou a cozinheira preparar o coitado para comer na janta.
A empregada foi e fez.
Na hora de matar, o macaco revirou os olhos e cantou:

me mata devagar
que dói,dói, dói
eu também tenho filhos
que dói, dói, dói

Na hora de esfolar, o macaco cantou:

me esfola devagar
que dói,dói, dói
eu também tenho filhos
que dói, dói, dói

Na hora de temperar, o macaco cantou:

me tempera devagar
que dói,dói, dói
eu também tenho filhos
que dói, dói, dói

Na hora de assar, o macaco cantou:

me assa devagar
que dói,dói, dói
eu também tenho filhos
que dói, dói, dói

A cozinheira serviu o macaco num prato enfeitado com arroz, feijão-preto, couve, farofa e mandioca frita.
A velha estalou a língua, sorriu, cortou um pedaço e mordeu.
Na hora de mastigar, o macaco cantou:

mastiga devagar
que dói,dói, dói
eu também tenho filhos
que dói, dói, dói

A velha estranhou, apertou os olhos mas comeu tudinho. Foi quando deu uma dor de barriga daquelas, pior do que rebuliço nas tripas. A mulher levantou, sentou, andou para lá e para cá. Não teve jeito, era o macaco pedindo:
- Quero sair.
A velha respondeu:
- Sai pelas orelhas.
- Não posso não, que tem cera – gritou o macaco. – Quero sair!
A barriga da mulher doía.
- Sai pelo nariz.
- Tá assim de gosma. Quero sair!
A barriga roncava cada vez mais.
- Sai pela boca.
- Pela boca não dá que tem cuspe. Quero sair!
Aí a velha estufou que estufou, estufou e pum!
Foi um estouro que se ouviu lá de longe.
E de dentro dela saiu o macaco e mais um bando de macaquinhos, tudo tocando viola, dançando e cantando:

eu vi a bunda da velha ia, ia
eu vi a bunda da velha iô, iô

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Três Cabras - Cont. pop. LIVRE
Adaptação: Augusto Pessoa
 
Era uma vez três cabras que buscavam um lugar para pastar. Estavam nisso, quando viram de longe um morro com uma pastagem verde e farta. No caminho para o lugar tinha uma ponte de madeira. Um duende muito feio, com olhos grandes como pires e um nariz pontudo morava embaixo dessa ponte.
A primeira cabra que chegou na ponte foi a mais nova. Começou a atravessar para o outro lado batendo os cacos nas madeiras da ponte. E esse bater fazia um barulhinho assim:

“Trip, trap!”

Embaixo o duende não gostou:

- Quem é que está passando na minha ponte?

 
E a jovem cabra respondeu:

- Sou eu, a cabra mais nova do rebanho! Estou indo até o monte para pastar e ficar bem gordinha!

E o duende rugiu:

- Não vai porque eu vou comer você!
- Oh, não! Não me coma! - disse a cabra - Eu sou muito pequena e magrinha! Espere um pouco que minha irmã do meio está vindo aí! Ela é muito maior!

O duende ficou com água na boca imaginando a outra cabra.

- Está bem! Você é muito magrinha mesmo! Vou esperar sua irmã! Passa daqui!!
A jovem cabra passou correndo. Não demorou muito apareceu a cabra do meio. Ela começou a atravessar a ponte batendo os cascos na madeira. E o barulho que fazia era assim:

“Trip, trap! Trip, trap! Trip, trap!”

E o duende não gostou:

- Quem é que está passando na minha ponte?

E a cabra respondeu:

- Sou eu, a cabra do meio do meu rebanho! Estou indo até o monte para comer e engordar bastante!

E o duende rugiu:

- Não vai porque eu vou comer você!
- Oh, não! - disse a cabra do meio - Não faça isso! Eu sou muito magrinha! Não vou matar sua fome! Espere um pouco até que minha irmã mais velha passe por aqui! Ela é muito maior do que eu!

O duende ficou com água na boca imaginando a cabra mais velha.

- Está bem! Você é muito magrinha mesmo! Vai embora daqui!

A cabra do meio saiu correndo. Não demorou muito chegou a cabra mais velha e começou a atravessar a ponte. Ela era muito grande, pesada e seus cascos batiam na madeira fazendo assim:

"Trip, trap! Trip, trap! Trip, trap! Trip, trap! Trip, trap!”

O duende embaixo da ponte não gostou:

- Quem é que está passando na minha ponte com esse peso tão grande?

E a cabra mais velha respondeu com uma voz grossa:

- Sou eu, a cabra mais velha do meu rebanho! Estou indo até o monte para comer e engordar bastante!

E o duende rugiu:

- Não vai porque eu vou comer você!

E a cabra deu uma risada:
- Isso é que nós vamos ver! Não tenho medo de você!

O duende saiu de baixo da ponte e foi pra cima da cabra. Mas ela era grande e deu uma chifrada no malvado que o atirou longe. O duende quis fugir, mas a cabra foi rápida e deu mais duas chifradas no narigudo. Foi tamanha a força das pancadas que o danado saiu correndo como um foguete. Nunca mais ninguém ouviu falar desse duende. A cabra mais velha subiu no monte e encontrou suas irmãs. Ficaram as três vivendo ali comendo e engordando. E acabou a história.